8 da manhã do dia 26 de agosto de 2026, em uma pequena cidade no Nepal, rodeada por vilas, com pessoas iniciando seu dia. Alguns indo trabalhar, monges em seu exercício da fé. Um dia comum, em um lugar qualquer.
Ao olhar para o céu, poucas nuvens, o sol passando pelas frestas das casas e a harmonia reinando no local.
Um grande estrondo se ouve. Pensavam ser um terremoto. Não imaginavam que, para muitos, seria o seu último dia.
Ao olhar para trás, a força violenta da água, que é fonte de vida, carregando a vida para seu fim.

Rápido demais para correr, sem tempo para se esconder, sem voz para dar o último adeus.
Quantos sonhos a água levou?
Quantas mensagens nunca serão respondidas?
Quantas histórias nunca serão contadas?
Pois a água levou e a lama assentou, formando ali o túmulo coletivo das vozes caladas, em um dia tão lindo que se eternizou como um dia tão triste.

A cama que não foi arrumada, uma refeição que ficou esperando, o animal aguardando seu dono voltar.
O frio gélido dos sussurros não ouvidos.
O desespero para encontrar um amigo.
Os pensamentos de quem poderia estar lá.
E a canção que nunca mais tocará.

Pergunto-me o que passou na mente de quem viu as ondas correrem. Se pensou no ente querido, em querer fugir, se a vida passou diante de seus olhos ou se nem tempo para um último olhar houve.
Do alto das montanhas, a 5.200 metros de altitude. Distante das comunidades atingidas, com uma massa de gelo e rochas, a quilômetros do local, a morte encontrou seu destino.

Penso nos homens, mulheres, idosos, crianças e animais. Não tiveram chance de fugir do sepulcro de gelo e lama que eternizou esse dia terrível em nossa história.


