Abrimos as redes sociais para relaxar, enquanto nossa dopamina é estimulada na rolagem de vídeos e mais vídeos. O que era apenas para fugirmos da pressão por 5 minutos se torna horas de estímulos viciantes, intermináveis. Até que a rolagem para e vemos aquela influenciadora da vida perfeita, empresária, casada, rica, com 3 filhos lindos, que tem tempo para treinar, cuidar da saúde e postar no Instagram. Sim, postar no Instagram, algo que você não faz há dias, talvez semanas ou meses, porque não tem tempo ou por insegurança.
Algumas rolagens depois, você vê aquele seu colega de escola, que ninguém dava nada, vivendo uma vida que você queria ter: a profissão sonhada, a casa desejada, a esposa e aquele cachorrinho lindo, de tal raça, que você sempre sonhou.

Difícil não olhar para trás e refletir sobre escolhas feitas, palavras ditas, momentos perdidos, enquanto você tenta equilibrar uma vida que parece despencar.
Essa história pode não ser a sua, mas parte dela é. Parte dela também é a vida da influenciadora de vida aparentemente perfeita, assim como também é a daquele seu colega de escola, que chegou onde você queria chegar.
As redes sociais nos inundam com a ilusão de uma vida perfeita, um ideal que é extremamente difícil de alcançar. Olhando, parece tudo tão fácil, tão palpável, que vem aquela pergunta:
Como eu não consegui também?

Mas o pior de tudo é que gostamos de ver, gostamos de saber, gostamos de sofrer. Sinceramente? Procrastinar é bom, pois é um momento em que não pensamos nas coisas, só deixamos rolar... E como rola, né?
30 minutos, 2 horas, três...
Mas, se sabemos que isso nos faz mal, por que continuamos fazendo?
A questão é que, nas redes, todos têm uma vida perfeita, até porque quem vai querer ficar postando desgraça para os outros saberem? É óbvio que tem pessoas que o fazem, mas é um número ínfimo, até porque ninguém quer ficar por baixo. Acredito que nem você!

Talvez o ideal seria tratar as redes sociais como séries da Netflix. Quem sente inveja da protagonista de um Dorama? As pessoas acham fofo, vibram, mas inveja? É algo que não incomoda.
Mas então, por que aquelas postagens te incomodam? A maior parte do que vemos nem é real.
Quantos influenciadores que postam uma vida maravilhosa depois não vieram dizer que estavam passando por depressão? Vícios em álcool, drogas, traição...
Todos temos problemas. A questão é que, na maioria das vezes, problemas não são instagramáveis. Mas a volta por cima é.
Por isso, vemos pessoas postando que se curaram de um vício ou uma depressão só depois da vitória.
Então, seja mentira ou verdade, qual a real relevância?
Por que somos tão viciados no alheio?
A culpa é nossa ou das redes, que nos seduzem?

Fato é que tudo o que vemos é justamente para nos manter ali. Vidrados, viciados, querendo mais e mais.
Tudo foi projetado exatamente para isso.
O algoritmo nos quer presentes, rolando a tela, assistindo aos seus anúncios, independentemente do que estejamos vendo, contanto que estejamos ali.
Nós escolhemos abrir o aplicativo, mas o aplicativo foi construído para dificultar a nossa saída dele. Nós escolhemos quem seguir, mas o algoritmo decide quem é colocado diante de nós. Nós sabemos que as vidas são editadas. Mesmo assim, emocionalmente, reagimos a elas.
Então eu pergunto: por quê?

Nossa vida passa diante de nossos olhos enquanto permanecemos rolando o feed.
Seriam nossas vulnerabilidades e inseguranças que nos mantêm?
Estamos usando ou sendo usados?

Enquanto pensa nas respostas, aproveite para pensar o que faz você se comparar tanto com pessoas e histórias que não são as suas. Se, por um lado, os algoritmos dos aplicativos te levam a um loop infinito, por outro, talvez você apenas queira arrumar um pretexto para não fazer nada, dizendo que a vida foi boazinha com o outro e é cruel com você.

