A Netflix lançou, neste ano, a minissérie A Boneca. Eu, particularmente, tenho um certo “fraco” por filmes e séries de época, como O Morro dos Ventos Uivantes, A Outra, Orgulho e Preconceito, entre outras.
Muito me encantam as roupas de época, a maneira como os personagens se tratam, a questão da separação social e, em alguns casos, determinados fatos históricos.
Para começar, vamos à parte mais técnica, antes de eu, propriamente dito, dar a minha singela opinião sobre esta minissérie que acabei de assistir. Maratonar, para ser mais exato, pois a devorei em apenas um dia.
A minissérie Lalka, uma produção polonesa traduzida como A Boneca no Brasil, foi lançada no dia 16 de setembro de 2026, com apenas seis episódios de aproximadamente uma hora cada.

A Netflix apresenta este trabalho como uma releitura contemporânea, pois a minissérie provém de um clássico romance, Lalka, de Bolesław Prus. Esse romance foi publicado inicialmente nos jornais, em 1887, mas, em 1890, ganhou sua primeira edição em livro.
Não serei tão técnico em minha apresentação, já que, por ser uma produção polonesa, muitos não conhecerão sequer um terço dos nomes. Assim como eu, que, além de não os conhecer, mal sei soletrá-los.
Como disse anteriormente, a minissérie não segue exatamente o livro, e isso é dito pela própria senhorita Netflix. Não serei hipócrita a ponto de dizer que foi a melhor série de época a que já assisti. Nem de longe. Mas ela realmente me cativou, tanto que a consumi em um único dia.
A história gira em torno de Stanisław Wokulski, interpretado pelo ator Tomasz Schuchardt, e Izabela Łęcka, interpretada pela atriz Sandra Drzymalska.

Izabela pertence à aristocracia polonesa e segue aquele mesmo percurso de algumas meninas ricas e revolucionárias, que não querem se casar e desejam ser donas de si. A meu ver, independentemente de seu desejo ser genuíno, sob a perspectiva do feminismo, ela acaba sendo um tanto infantil. Há um contraste entre o desejo de ser e o fato do que se é. Menina rica, criada com diversos privilégios, empregadas e tudo mais.
A questão é que seu pai está praticamente falido e vem lidando com diversas situações de maneira irresponsável. Izabela quer ser livre, mas, para ter de fato sua liberdade, deveria estar em melhores lençóis, o que não é o caso. Esta personagem não me parece tão autêntica, pois já assisti a diversos filmes e séries em que esses padrões se repetem.
Diferentemente de Izabela, posso ver em Wokulski algo mais genuíno e distinto do que se vê em personagens mais genéricos. Wokulski é um homem rico, que ascendeu após um casamento com uma herdeira, montou uma loja de artigos de luxo e segue em busca de se tornar um aristocrata.
Separadamente, mas, ao mesmo tempo, não, ele cria certa obsessão por Izabela. A questão é que fica um tanto confuso o que, de fato, ele sente pela protagonista. Ele a ama ou deseja possuí-la para ascender à aristocracia?
Vemos em Izabela um pequeno desejo, mas, ao mesmo tempo, certa repulsa, que me lembra a novela da Globo O Cravo e a Rosa.

Não posso dar muitos detalhes para não entregar spoilers da minissérie, mas ela me causou um misto de aflição, angústia e êxtase. Não sei explicar bem, mas, independentemente dos diversos acontecimentos, eu, pelo menos, queria vê-los juntos no final.
Porém, a cada passo, isso se tornava mais improvável. O que me pegou, de fato, é que eu realmente esperava um final genérico. Já estava até esperando algo do gênero, mas não. Foi mais poético e, de certa forma, desconcertante.
Algo que também me chamou a atenção foi o título traduzido da obra: A Boneca. Você acaba associando-o justamente à protagonista, mas, no decorrer dos episódios, esse papel acaba adquirindo outro sentido.
A boneca seria o desejo de pertencer?
Talvez fosse a própria aristocracia, que mantém suas posições, resguardando aquilo que muitos desejam, mas poucos podem possuir?
Ou a boneca se tornara Wokulski, que, ao querer possuir, acabou se tornando o objeto possuído, usado e descartado quando já não tinha serventia?
No início, todos procuram decidir quem Izabela deverá ser. No final, pela primeira vez, ela pode não saber quem será.

Minha nota: 7,5 de 10. Talvez até 8 pelo final, que realmente me pegou.
Entre filmes e séries, dou uma nota 7,5 ou, talvez, até mesmo um 8 pelo final. Sendo assim, assistam!
A propósito, esta é minha primeira crítica publicada. Com isso, quero estabelecer um padrão. Só darei 9 e 10, de fato, às produções que estiverem entre as melhores de todas. No mais, às que forem boas e “legalzinhas”, darei algo em torno de 6 a 8. De cinco para baixo, nem percam seu tempo. Ou então, paguem para ver...
Com isso, querido leitor, me despeço e espero que se deleite com esta produção, que não é tão maravilhosa, mas, com certeza, irá prendê-lo do início ao fim.
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